26/11/2011

O Fazendeiro e a Serpente

Era inverno. Um Fazendeiro encontrou uma Serpente entanguida, dura, de frio.

Ele teve compaixão dela. Tomando-a, colocou-a em seu seio.

A Serpente logo reviveu com o calor e, voltando a seus instintos naturais, mordeu seu benfeitor, causando-lhe uma ferida mortal.

Ó... - disse o Fazendeiro em seu último suspiro - minha justa recompensa por ter piedade de um miserável.

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Nem mesmo a maior bondade aplacará o ingrato.

O Fazendeiro e a Cegonha


Um Fazendeiro colocou redes em seus campos recém-arados para apanhar algumas Garças que vieram por causa das sementes.

Junto com as Garças ele capturou uma Cegonha que havia quebrado a perna na rede e que seriamente procurava fazer que o Fazendeiro poupasse sua vida.

- Por favor, salve-me senhor -- disse ela -- liberte-me desta vez. Minha perna está quebrada, tenha piedade. Além disso, não sou Garça, sou uma Cegonha, uma ave de caráter excelente; observe como amo e sirvo meu pai e minha mãe. Olhe para minhas penas, elas não têm a mínima similaridade com as penas de Garças.

O Fazendeiro riu alto e disse:

- Bem, deve ser tudo como você disse, mas tudo que sei é o seguinte:

        ... apanhei você com esses ladrões, as Garças, e você deve morrer na companhia deles.

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Diz-me com quem tu andas que direi quem és.

25/11/2011

A Romãzeira, a Macieira e o Espinheiro


A Romãzeira e a Macieira discutiam sobre qual delas era mais bela.

Quando a disputa estava no clímax, um Espinheiro duma cerca vizinha ergueu a voz e disse em jactancioso tom:

- Rogo, queridos amigos, pelo menos em minha presença, parem com essa disputa vã.

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Aquele que é incapaz de enxergar seus próprios defeitos, talvez jamais consiga ver nos outros beleza.

22/11/2011

O Coelho e a Tartaruga

Certo dia um Coelho zombou das pernas curtas e do passo lento da Tartaruga, que respondeu, sorrindo:

- Embora você seja rápido como o vento, vencerei você numa corrida.

O Coelho, acreditando ser simplesmente impossível a declaração da Tartaruga, aceitou o desafio; concordaram que a Raposa deveria escolher o roteiro e determinar onde seria a chegada.

No dia da corrida, os dois começaram juntos.

A Tartaruga nem por um momento parou, antes, prosseguiu num passo lento, mas constante até o final da pista.

O Coelho deitou-se à beira do caminho e adormeceu depressa.

Tendo finalmente acordado, moveu-se tão depressa quanto pôde, e viu a Tartaruga que, tento atravessado a linha de chegada, estava confortavelmente cochilando depois de sua fatigante corrida.

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O lento, mas constante, é o que vence a corrida.

O Pastor e o Touro Perdido

Um Pastor, que cuidava de seu rebanho em uma floresta, perdeu ali um Novilho da manada.

Depois de longa e infrutífera busca ele prometeu que ofereceria um cordeiro em sacrifício a Hermes, Pan e aos deuses guardiães da floresta, se tão somente pudesse descobrir quem era o ladrão que havia roubado o Novilho.

Não muito depois, tendo subido um pequeno  morro, viu ao sopé do monte um Leão comendo a carcaça do Novilho.

Aterrorizado com a visão, ergueu mãos aos céus e disse:

- Ainda há pouco prometi oferecer um cordeiro aos deuses guardiães da floresta, caso eu pudesse apenas decobrir quem me havia roubado; mas agora que descobri quem é o ladrão, de boa vontade acrescentarei um Touro crescido ao Novilho que perdi, se tão somente puder garantir minha própria fuga dele em segurança.


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Se não tiver certeza de poder exigir reparação, melhor é não saber quem lhe causou o mal.

A Jovem Toupeira e Sua Mãe

Uma Toupeira, criatura cega desde o nascimento, certa vez disse para sua Mãe:

- Tenho certeza de que posso ver, Mãe!

Desejosa de provar que a jovem Toupeira estava enganada, sua Mãe colocou diante dela um pouco de incenso e perguntou:

- O que é isto?

A jovem Toupeira disse:

- É um seixo.

Sua Mãe exclamou:

- Minha filha, temo que você não somente seja cega, mas que também tenha perdido seu olfato.

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O Cão e a Sombra

Um Cachorro que cruzava uma ponte sobre um riacho com um pedaço de carne em sua boca, viu sua própria sombra na água e achou que fosse outro Cachorro com um pedaço de carne duas vezes maior que o seu.

Ele largou imediatamente seu pedaço de carne e ferozmente atacou o outro Cachorro para tomar a carne dele.

Assim, ele perdeu a ambos: o que tentou agarrar na água, porque era sombra; e o seu próprio, porque o riacho o levou embora.

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A ganância pode não acrescentar nada, mas pode levar o que já se tem.

20/11/2011

O Pescador Flautista

Um PESCADOR que sabia música apanhou sua flauta e suas redes e foi para a praia.

Ficando de pé sobre uma rocha que se projetava sobre a água, ele tocou várias melodias na esperança de que os peixes, atraídos pela música, de sua própria vontade dançassem para dentro de sua rede, que ele havia colocado logo abaixo.

Por fim, tendo esperado por longo tempo em vão, ele largou a flauta e, lançando sua rede no mar, apanhou muitos peixes.

Quando viu que os peixes pulavam  na rede sobre a rocha, ele disse:

- Vocês, mais perversas criaturas! Enquanto eu tocava minha flauta, vocês não quiseram dançar. Agora que parei, vocês dançam tão animadamente.


O Viajante e Seu Cão

Um VIAJANTE, prestes a sair em viagem, viu seu Cão parado na porta se espreguiçando.

O Viajante perguntou rispidamente ao Cão:

- Por que está aí parado e boquiaberto? Já está tudo pronto, menos você, então venha imediatamente.

O Cão, balançando a cauda, respondeu:

- Ó mestre! Eu já estou bem pronto; é por você que estou esperando.

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Aquele que está atrasado frequentemente culpa seus mais ativos amigos pelo atraso.

19/11/2011

O Grilo e as Formigas

As FORMIGAS gastavam seu belo dia de inverno em secar os grãos colhidos no verão.

Um Grilo que estava perecendo de fome, passou por elas e suplicamentemente pediu que lhe dessem um pouco de comida.

As Formigas perguntaram:

- Por que não juntaste comida durante o verão?

Ele respondeu:

- Não tive tempo suficiente. Passei os dias a cantar.

Elas então disseram, em escárnio:

- Se foste suficientemente tolo para cantar durante todo o verão, deves dançar para a cama sem jantar no inverno.

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A sabedoria prática preserva vivos os que a possuem.

Hércules e o Carroceiro

Um CARROCEIRO conduzia uma carruagem ao longo de uma alameda campestre quando as rodas caíram num barranco. 

O rude condutor, estupefato e aterrorizado, ficou olhando para a carruagem e nada fez, além de gritar alto por Hércules, a fim de que viesse e o ajudasse.

Contam que Hércules apareceu e disse: 

- Ponha seus ombros nas rodas, homem. Aguilhoe seus bois e nunca mais me peça ajuda antes de ter feito seu melhor para ajudar a si mesmo, ou se o fizer, doravante o fará em vão.

Ajudar a si próprio  é a melhor ajuda.

O Lobo e a Garça

UM LOBO, que tinha um osso preso em sua garganta, contratou uma Garça, por grande quantia, para colocar a cabeça dentro de sua boca e remover o osso.

Quando a Garça removeu o osso e solicitou seu pagamento, o Lobo, sorrindo e exibindo seus dentes, exclamou:

- Ora, você certamente já recebeu uma recompensa justa, visto que permiti a você retirar sua cabeça de dentro de minha boca e mandíbulas em segurança.

Se servir a um iníquo, não espere recompensa e seja grato se escapar ileso.

No Reino do Leão

AS FERAS  de todos os campos e florestas tinham o Leão como seu rei.

Ele não era irascível, nem cruel, nem tirânico; ao contrário era tão justo e bondoso quanto um rei poderia ser.

Durante seu reinado ele fez uma proclamação real para uma assembleia geral de todos os pássaros e feras, e criou condições para uma liga universal, na qual o Lobo e o Cordeiro, a Pantera e o Cabrito, o Tigre e o Veado, o Cachorro e a Lebre, pudessem viver juntos em perfeita paz e amizade.

A Lebre disse:

- Ó, quanto ansiei eu ver este dia, dia em que os fracos ocuparão seu lugar ao lados dos fortes impunemente.

Tendo dito isso, a Lebre correu para salvar sua vida.

O seguro morreu de velho, e o desconfiado está vivo até hoje.

O Galo e a Jóia

Um GALO, ciscando por alimento para si e suas galinhas, encontrou uma pedra preciosa e exclamou:

- Se teu dono te encontrasse, e não eu, ele te teria pegado e teria te colocado em glória; mas eu te encontrei para nenhum propósito. Eu preferiria ter um grão de milho a ter todas as jóias do mundo.

Qual o valor prático do que só se pode ostentar?

O Caçador de Locustas

Um GAROTO estava caçando gafanhotos.

Ele tinha apanhado uma boa quantidade, quando viu um Escorpião e, confundindo-o com um gafanhoto, estendeu sua mão para pegá-lo.

O Escorpião, mostrando seu ferrão, disse:

- Se tivesse apenas me tocado, meu amigo, você teria me perdido, e a todos os seus gafanhotos também.

Cuidado com o que deseja, pois pode lhe custar a perda de tudo o que possui. 

18/11/2011

Pai e Filhos

Um PAI tinha vários filhos que vivam discutindo e brigando entre si.

Quando não mais pode sanar suas disputas através de conselhos, ele decidiu dar-lhes uma lição prática sobre os males da desunião.

Para esse fim, ele um dia disse-lhes que amarrassem um feixe de varas e o trouxessem a ele. Quando os filhos o atenderam, ele colocou o feixe nas mãos de cada um deles, sucessivamente, e ordenou-lhes que o quebrassem em pedaços.

Eles tentaram com todas as forças que tinham, mas foram incapazes de fazê-lo.

A seguir, o PAI desatou o feixe, apanhou as varas separadamente, uma a uma, e novamente colocou-as nas mãos de seus filhos, após o que eles facilmente as quebraram.

Ele então dirigiu-lhes as seguintes palavras:

- Meus filhos, se vocês tiverem um só pensamento, e se forem unidos para ajudar um ao outro, vocês serão como esse feixe, inabaláveis diante de quaisquer ataques de seus inimigos; mas se houver divisões entre vocês, serão tão facilmente quebrados quanto essas varas.

A união nos torna inexpugnáveis.

O Carvoeiro e o Lavadeiro

Um CARVOEIRO cuidava de seus negócios em sua própria casa.

Um dia ele encontrou um amigo, um Lavadeiro, e convidou-o para morarem juntos, dizendo que eles deveriam ser os melhores companheiros e que suas despesas de manutenção  da casa poderiam ser reduzidas em muito.

O Lavadeiro respondeu:

- Tanto quanto posso perceber, isso é impossível, pois qualquer coisa que eu devesse clarear, você poderia imediatamente manchar de novo com seu carvão.

Queira ficar com seus iguais.

17/11/2011

O Leão e o Rato

Um LEÃO foi acordado de seu sono por um Rato  que corria sobre sua face. Levantando-se furiosamente, ele apanhou o rato  e estava prestes a matá-lo, quando o Rato copiosamente suplicou, dizendo:

- Se apenas poupares minha vida eu me certificarei de retribuir à tua bondade.

O Leão riu-se e o deixou ir embora.

Aconteceu pouco tempo depois que o Leão  foi capturado por alguns caçadores que o amarraram com cordas fortes ao chão.

O Rato, reconhecendo seu grunhido, veio e roeu as cordas com seus dentes, e o libertou, exclamando:

- Tu ridicularisaste a ideia de eu ser alguma vez capaz de ajudar-te, não esperando de mim qualquer retribuição por teu favor; agora tu sabes que é possível mesmo para um Rato conferir o bem a um Leão.

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Tradução de Wisley Vilela.

O Asno e o Grilo

Um ASNO, tendo ouvido o chilrar de Grilos, ficou encantado; desejoso de possuir o mesmo encanto melódico, perguntou-lhes que tipo de comida eles comiam que lhes dava tão belas vozes.

Eles responderam "O orvalho".

O Asno decidiu que viveria apenas de orvalho e, em pouco tempo, morreu de fome.


Tradução: Wisley Vilela.

O Morcego e as Doninhas

Um MORCEGO que caiu no chão e foi apanhado por uma Doninha suplicou que sua vida fosse poupada. A Doninha negou, dizendo que ela, por natureza, era inimiga de todos os pássaros.

O morcego assegurou que não era um pássaro, mas sim um rato, e então foi libertado.

Logo depois o Morcego novamente caiu ao solo e foi capturado por outra Doninha a quem, do mesmo modo, suplicou para não ser comido. A Doninha disse que tinha especial hostilidade contra camundongos.

O Morcego garantiu à Doninha que ele não era um rato, mas sim um Morcego e pela segunda vez escapou.


Moral: É sábio converter circunstâncias em benefício próprio. 


*Tradução: Wisley Vilela

O Lobo e o Cordeiro

Um LOBO, ao encontrar um Cordeiro desgarrado do rebanho, decidiu, ao invés de deitar mãos violentas sobre ele, encontrar alguma razão para justificar ao Cordeiro seu direito de comê-lo. Então ele lhe disse:

- Seu tratante, você me insultou rudemente no ano passado.

- Como? - redarguiu o Cordeiro num tom choroso de voz - eu não havia nascido ainda.

O Lobo então disse:

- Você pastou em meus campos.

- Não, bom senhor, - respondeu o Cordeiro - ainda não senti o gosto de grama.

Novamente o Lobo disse:

- Você bebeu água de meu poço.

- Não, - exclamou o Cordeiro - eu nunca bebi água, pois o leite de minha mãe é para mim tanto comida quanto bebida.

Após isso, Lobo agarrou e comeu o Cordeiro, dizendo:

- Bem! Não vou ficar sem minha ceia, embora você refute cada uma de minhas acusações.

Moral: O tirano sempre encontrará pretexto para sua tirania.